Quem somos nós? - Parte 3

Citando e comentando o filme - por Juliene Macedo


“O cérebro, quando dispara seus pensamentos, é comparado a paissagem de uma nuvem negra de tempestade. E a fenda sináptica é o céus entre a tempestade e a terra, o local receptor. Você vê essa nuvem negra de presságio em ebulição no céu. E vê impulsos elétricos movendo-se através de filões de luz elétrica. E depois os vê atingindo o solo. O cérebro parece uma tempestade de raios quando está apresentando um pensamento coerente. Ninguém jamais viu um pensamento. O que eles vêem, na neurofisiologia, é uma violenta tempestade cercando diferentes quadrantes do cérebro. Aquelas são áreas que são mapeadas no corpo e uma tempestade deve estar respondendo a uma imagem holográfica. Raiva. Assassinato. Rancor. Compaixão. Amor.”

Parece até um trecho de um filme de ficção, não é? É impressionante o funcionamento de nosso corpo! Você sabia que o cérebro não sabe a diferença do que ele vê em seu ambiente e se lembra? Um dos cientista do documentário relata um estudo interessante:  foi conectado eletrodos na cabeça de uma pessoa e pedido que ela observasse um objeto a sua frente, depois pediram para que ela fechasse os olhos e imaginasse o mesmo objeto.  Observaram que a mesma rede neuronal específica é ativada em ambos os casos. Acho que isto é uma boa explicação para o poder da visualização ou imaginação, vocês não acham? Se estou de olhos fechados e me imagino num lugar relaxante, por exemplo, para o cérebro isso será uma realidade. É claro que há um “eu” aí que vai discriminar e dizer “É só uma imaginação!”, mas se você sabe que o seu cérebro não está diferenciando, então porque não usar isso de uma maneira benéfica e direcionada para o seu desenvolvimento pessoal? Para mim que trabalho com imaginação ativa com meus clientes, saber disso é fantástico! Mas muito estudiosos do passado, como  Carl Jung, se basearam apenas na experimentação e observação para constatarem os efeitos do uso da imaginação de forma terapêutica.

Como vocês sabem, o cérebro é formado por células nervosas minúsculas chamadas neurônios. “Esses neurônios tem minúsculas ramificações que se estendem e se unem a outros neurônios para formar uma rede neurônica”.  O que não é muito sabido pelas pessoas é que cada local está associado a um pensamento, lembrança, ideia ou sentimento, todos  interconectados em redes neurais; e que por meio dessa relação neuronal é que vamos construindo conceitos e modelos de como vemos o mundo. Por exemplo, “algumas pessoas tem o amor ligado a desilusão. Quando pensam em amor, vivenciam a lembrança da dor, do arrependimento, da ira, a até mesmo da raiva. A raiva pode está ligada a dor que pode está ligada a uma pessoa específica que, então fica associada ao amor”. Por meio de nossa experiência vamos refinando esses modelos internos, ao mesmo tempo que eles vão determinando como vemos o mundo. Toda informação que assimilamos do ambiente, então, vem acompanhada das cores das experiências que tivemos e da reação emocional associada.

“Fisiologicamente, sabemos que as células nervosas que são ativadas juntas, ficam entrelaçadas. Se você pratica alguma coisa repetidamente, as conexões neuronais ligadas a isso se fortalecem. Se você fica frustrado diariamente,  se sofre diariamente, se dá razão a vitimização em sua vida, você está reativando (re-ligando) e re-integrando a rede neurônica diariamente; e aquela rede tem uma relação de longo prazo com todas aquelas outras células nervosas chamadas de identidade. Também sabemos que as células nervosas que não são mais ativadas juntas não ficam entrelaçadas. Elas perdem seu relacionamento de longo prazo. Porque toda vez que interrompemos o processo de pensamento que produz uma reação química no corpo, aquelas células nervosas que estavam interconectadas entre si começam a romper a relação de longo prazo. Quando começamos a interromper e observar, não por estímulo e resposta, aquela reação automática, mas observando os efeitos que assume, não somos mais a pessoa emocional consciente do corpo e da mente que está reagindo ao seu ambiente de forma automática.”

Fantástico, não é? Por isso a reeducação mental é tão importante: mudar a forma como pensamos, como reagimos emocionalmente as situações de nossa vida. Mas isso só é possível se aprendemos a observar a nós mesmos. Se não, o automatismo toma conta, e vamos vivendo como fantoches sendo controlados pelas nossas emoções. Os danos podem ser diversos!!! Infelizmente, boa parte das pessoas só pensam numa mudança quando se encontram numa situação muito difícil de sofrimento, onde se deparam com a necessidade de transformação. Mudar exige ver o que foi construído, criado por nós de acordo com nossos modelos internos, assumir a responsabilidade dessa criação e saber que temos o poder de mudar. isso é uma qualidade e potencialidade humana!!!

Boa reflexão!

Veja também:
Quem somos nós? - Parte 1
Quem somos nós? - Parte 2

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